Com Olhos De Criança Francesco Tonucci

20160619_092221-1A primeira vez que me deparei com a linguagem divertida e crítica do cronista Francesco Tonucci foi numa prova de concurso. Se tratava de um desenho, uma casa com o formato de uma grávida, mas que dava a entender ser uma escola, pois nela crianças entravam com suas lancheiras e bagagens. Ou seja, uma imagem louca e questionadora. No momento denso e tenso não pude me deliciar por muito tempo na imagem, tinha muitos neurônios para queimar, mas confesso que O Cara me conquistou de primeira. Ele é um psicopedagogo e pensador italiano que agregou suas reflexões sobre o tema educação e sobre a forma como as crianças apreendem o mundo à fantástica linguagem dos desenhos. Frato, como também é conhecido, é autor de traços que trazem uma crítica embasada, uma ironia que faz pensar e que ao meu ver é muito divertida.

Os quadrinhos de Tonucci surpreendem e acabam trazendo identificação, você acaba lembrando de alguma situação que passou quando era criança, ou de uma vertente de pensamento sobre a infância. Você se vê no texto. Seja na época da infância ou na de adulto que lida com crianças acontece um encontro e um confronto. O que é bom pra quem prefere ser como a música diz uma metamorfose ambulante e triste para quem não cresce com críticas construtivas. Recentemente reli o livro “Com olhos de criança” que reúne os desenhos de Frato e tem tudo a ver com o tema do blog. Um texto delicioso que se degusta como sorvete numa sentada.

O livro dá uma sacudida esperta em nós adultos, em nossas concepções de infância na maneira como achamos que devemos tratar a criança. É provocação e mais provocação. É tipo a música: “Catuca pai, mãe, filho eu também sou da família também quero catucar”, só que no caso temos que acrescentar, tio, tia, avó, avô, professor, coordenador, diretor, psicólogo, políticos, terapeutas e muita gente grande na lista.

Com Olhos de criança é pra quem quer crescer, ampliar o conhecimento sobre a infância, mas também pra quem quer se fazer pequeno, aprender de novo e expandir o olhar com os pequenos.

Texto: Glaucione de Laet 
Foto: acervo pessoal

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