Abril literário, abriu o imaginário. Meu aniversário!

catv_pet_ara_mg_ser_cri_20100709_0149“Abril chegava, tingindo o céu de azul, de ponta a ponta. As madrugadas aconteciam mais transparentes. O sol seguindo os desenhos das telhas, bordava sianinhas no interior da casa”

Amo abril, por várias razões e também pelo clima tão poeticamente descrito acima por Bartolomeu Campos de Queirós. Abril é pura poesia!

Abril é o mês mais lindo de todos na minha opinião, primeiramente porque foi o mês que eu nasci e isso traz um tratado místico entre Deus e eu que me renova a cada ano. É como se Ele Autor maior mostrasse para as pessoas ao meu redor a minha história que Ele já estava escrevendo desde a barriga da minha mãe e desde antes da minha mãe nascer. Bem antes…

Abril é precioso, pois é o mês mais literário do ano! É um mês de celebração dos livros, nossos passaportes a viagens fantásticas e extraordinárias, nossos convites a nossa imaginação. Tenho um amigo que diz que abril deveria ser escrito com “u”, pois a abertura desse mês é tão maravilhosa e incrível, um mês com inúmeras oportunidades que podem ser aproveitadas. Ler nos abre tanto a mente, que começo a pensar que a mudança do “l” pelo “u” deveria ter entrado no último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

No dia 2 de abril comemora-se o Dia Internacional do Livro Infantil, a data foi escolhida por se tratar do dia de nascimento de Hans Christian Andersen, uma forma de homenageá-lo por ser um dos primeiros a ter um olhar de criança no campo literário e adaptar várias histórias para o público infantil. No dia 18 desse lindo mês comemora-se o Dia Nacional do Livro, uma data também pensada para homenagear o escritor brasileiro Monteiro Lobato. Autor e grande propulsor da literatura no país, queria fazer livros onde as crianças pudessem morar neles. Confesso que amo seus personagens e embora tenha ressalvas com algumas questões de suas obras acredito que ninguém é perfeito e que as pessoas se constroem, se reeditam. Escrever as próprias histórias é tarefa de diária de cada um de nós. Os autores contribuíram de maneira significativa para a evolução literária no país e no mundo e a construção do literário ainda se move e se constrói conforme nós seres humanos vamos evoluindo.

É tão bacana saber que em algum lugar e época existiu alguém que pensou na criança. Viu o que a criança mais gostava e adaptou o livro para uma categoria, não inferiorizada, mas mais sensível as habilidades dos pequenos. Feliz é quem olha, entende, ou pelo menos tenta entender o olhar das crianças.

A criança pode se interessar por qualquer livro, assim como qualquer grandão pode se apaixonar por livros infantis (eu sou suspeita). A verdade é que a mágica está no imaginário das histórias, dos contos, das fábulas, das parlendas, lendas, poemas… E se deixamos de nos encantar com o céu, com a natureza, com as pessoas, com a poesia da vida, lentamente nosso olhar estará envelhecendo. Nesse mês que fico mais velha de idade e naturalmente mais nostálgica, meu desejo é que ao contrário eu possa voltar a ser criança, não como O Curioso Caso de Benjamim Button de Fitzgerald Francis Scott, que nasce velho e volta a ser criança, mas como no caso da letra da música Era uma vez de Kell Smith, pois um joelho ralado sempre vai doer menos que um coração partido. Ao crescermos nosso coração se parte várias vezes e até partimos corações, mas quando criança também. A diferença é que, quando pequenos, a vontade de brincar é tão grande que ele se cura rápido. Mais difícil que o envelhecimento do corpo é o envelhecimento da capacidade de brincar, de imaginar e de sonhar. Que possamos não só em abril, não só perto do nosso aniversário, mas sempre deixar que nosso imaginário seja cheio de histórias fantásticas e maravilhosas lidas, contadas ou inventadas. E você já leu um livro hoje?

Feliz mês literário!

Feliz imaginário!

Feliz aniversário!

Texto: Glaucione de Laet

Foto: Crianças no Vale do Jequitinhonha - © Daniel De Granville, 2010